Mostrando postagens com marcador Belém. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Belém. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 24 de maio de 2023

O Barão

No início da década de noventa, durante os meus dezesseis aons, nas cercanias do saudoso colégio Moderno, onde estudava, existia uma figura hoje lendária, o Barão, que andava pela Braz de Aguiar e Benjamim, sempre transitando com desenvoltura e fazendo piadas nas rodas de jovens. Falar com o Barão era estar na “high society” paraense ou, pelo menos, assim se considerava na época.

O Barão transitava entre os Ponto de Bala, em frente a Zoomp, a Company, o famoso Manga Café, hoje inexistentes, mas, principalmente, na frente do Cosanostra, no pedaço mais badalado de uma Belém burguesa e jovem, nas quais desfilavam carros do ano importados, roupas de marca e esbanjamento de dinheiro, na engarrafada Braz de Aguiar, para os que querem ver e ser vistos.

Aparentando já ter cerca de quarenta anos, baixo, negro, sempre com roupas descoladas das marcas de grife que circundavam a Braz de Aguiar, destoava dos moleques brancos de quinze ou dezesseis anos que rondavam o local durante o dia, sejam os da alta sociedade ou mesmo de uma classe média que queriam estar entrosados. Mas, como disse, andava pelas rodas com desenvoltura e falando com todos, sem realmente conhecer ninguém.

Barão guardava carros na frente do Cosanostra, em seu auge, quando lotava a Benjamim Constant e a Braz de Aguiar. Naquela época, os desfiles de carros e a vontade de ser visto era tão grande que os carros não passavam ou passavam vagarosamente pela Benjamim, mas não havia nenhuma buzina ou irritação, apenas a espera para o “desfile”.

Pela tarde, quando saia da escola, via a desenvoltura do Barão, mas nunca tive o acesso para falar com ele. Somente o via, mas sem poder chegar.

Pela noite, quando os cabelos dos frequentadores começavam a esbranquiçar, uma vez vi a desenvoltura do personagem, transitando na frente do Cosanostra e do Manga Café, quando saí com o meu pai, sem no entanto entrar em nenhum dos dois bares.

A verdade que essa vida noturna de Cosanostra e Manga Café, na época, era um pouco difícil para quem morava no Guamá, com amigos lisos e em uma Belcity que os ônibus paravam de funcionar às onze horas da noite e somente voltavam às seis da manhã, tratando somente de chegar na Braz de Aguiar. Se formos considerar o preço de um bar da moda, como era o Cosanostra, era inacessível.

A crônica está longa, mas não posso deixar de contar uma das últimas do Barão: Um amigo, assíduo frequentador do “Cosa”, arranjou uma namorada extremamente ciumenta. Ambos conhecedores do Barão das áureas épocas. Esta, disse que o celular do Barão era muito antigo e deu um celular novo para ele. Todo dia, às seis e trinta da tarde, ela ligava para o Barão para saber se o meu amigo já tinha chegado no Cosanostra e se estava acompanhado. O Barão, inocentemente, passava toda a ficha.

Nunca soube se o Barão era mesmo um cara de bom papo, se era amigo ou, mesmo que inconscientemente, uma forma da elite de amenizar sua culpa pela desigualdade social naquele local tão elitizado. E o Barão, inocentemente, se beneficiou da sua figura “cult”.

Hoje, saindo do “Cosa”, fui buscar o meu carro na esquina, sob uma chuva torrencial, e ele estava lá, como esteve durante estes, pelo menos, trinta anos, molhado, sem mais as roupas de grife, mas vestido com um daqueles coletes de guardador de carro fluorescente e um cabelo artificialmente negro graúna. Dei-lhe algum dinheiro, desejei boa sorte e disse: - até a próxima, Barão!

Da base, 24/05/2023.


sábado, 29 de setembro de 2018

Diabetes

Uma arma
Amor
Traição
Perdão

A sombra sempre está lá
Aqui
E te frequenta de quando em vez
Como a diabetes

Mata lentamente
Só resta a poesia
Fúnebre
Desse amor

Da base.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Belém 400 anos

Passei o dia todo pensando em uma postagem para não deixar passar esta grande data em que Belém faz 400 anos. Gostaria de falar de grandes feitos, de grandes realizações e de uma maturidade alcançada pela população e pelos governantes.

Não encontrei nada e, por este motivo, pensei em nada escrever.

Foi quando vi uma postagem do Prefeito no facebook com o trio Tucano discursando (Zenaldo (Prefeito), Simão Jatene (Governador) e Flexa Ribeiro (Senador), todos do PSDB), no Ver-o-Peso, partindo o bolo de Belém, cercado de populares, e me dei conta que realmente nada teríamos a comemorar.

Nossa Cidade tão bela, com traços europeus tão significativos e uma cultura riquíssima e peculiar, continua totalmente sem rumo, sem saber como deve viver no próximo centenário e sem qualquer perspectiva de melhora.

Politicamente falando, Belém sofre em uma crise financeira sem precedentes, que está assolando todo o Brasil com o retorno da inflação, alta do dólar e produtos cada vez mais caros.

Junto a isto, o Estado não consegue controlar a cada vez mais crescente criminalidade, com que faz que sequer podermos sair nas ruas, o que me leva a falar sempre que ando a Zona Sul do Rio de Janeiro de madrugada e a pé, mas não tenho coragem de atravessar a Praça Batista Campos a noite. Quanto à educação, há menos de um ano passamos por uma crise em um embate do Governo com os Professores, inclusive com greves e revisão salarial unilateral pela Administração, cujos professores se dizem prejudicados, e o ranking publicado pela revista Veja, considerando o Estado do Pará um dos cinco piores Estados em educação.

Quanto ao Município, não existem projetos concretos (pelo menos não se vê ou se fala), com a Cidade suja e descuidada, além de críticas ferrenhas à uma polêmica contratação de uma empresa sulista para a realização do aniversário de Belém neste ano e um protesto contra o Prefeito Zenaldo na inauguração de um monumento em homenagem à esta data.

Aliás, em face de todos estes fatos, me parece que a Administração Tucana do Estado e do Município estão com os dias contados. 

Quanto ao Prefeito, em seu primeiro mandato, neste ano de eleições para a Prefeitura, mesmo com a Administração Pública na mão, está em terceiro lugar nas intenções de voto, atrás de um Delegado de Polícia Civil licenciado, Éder Mauro, da famosa bancada da bala do Congresso, e do ex-Prefeito Edmilson Rodrigues, do PSOL, que já governou esta Cidade por dois mandatos, tendo sido o último no mesmo marasmo do atual.

No Estado, em que o atual Governador ganhou as eleições com uma margem baixíssima de votos sobre o outro candidato, Elder Barbalho, filho do conhecido Jader Barbalho, não existe um sucessor aparente e mesmo de peso que possa prosseguir com a Administração Tucana, terceira do Simão Jatene. A dificuldade de se falar em sucessor se deve, provavelmente, a inexistência de obras e serviços de qualidade no Governo e à condução do Estado, que me parece que ainda não despertou.

Mas mesmo com esta dificuldade e completa falta de perspectiva no campo político e de Governo, e a atual situação dos serviços públicos, creio que a Cidade ainda mereça parabéns, pelos belenenses que querem uma Cidade melhor de se viver.

Como sempre digo, Belém é uma Cidade linda, cosmopolita e ao mesmo tempo com identidade, com sua cultura ímpar, no campo das danças e da gastronomia, inclusive, tendo muitos heróis anônimos batalhando, na maioria das vezes sem apoio governamental ou mesmo sofrendo perseguições políticas, para torná-la cada vez melhor, mais evoluída e mais agradável para se viver.

Por força dessas pessoas, mesmo sendo um Estado rico com a população pobre, hoje nada devemos a qualquer Cidade do eixo Sul/Sudeste do Brasil e mesmo a muitas Cidades espalhadas por países desenvolvidos.

Por isso, decidi parabenizar Belém pelos 400 anos em nome desses heróis anônimos, que possuem amor por esta Cidade e que realmente lutam para a preservação da cultura e pela cada vez mais evolução da nossa tão desprezada Casa.

Da Base.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Beto Grill

Lembro, recém-chegado a Belém, do velho e lendário O Corujão, um restaurante e bar que ficava na Rua Quintino Bocaiúva, passando a Bráz de Aguiar. No que pese eu não ter idade e muito menos dinheiro para frequentá-lo, já ouvia falar de suas estórias, que era onde se encontravam os políticos, pessoas importantes, empresários, advogados e, mais que isso, era onde eram ditados os rumos do Estado do Pará.

Naquele tempo também existia o folclórico Waldyr, que tempos depois vim conhecê-lo. Não sei se as peripécias com as contas dos clientes que dizem que ele fazia são verdades, mas sei que ele se tornou igualmente lendário e parte indissociável do bar em seus tempos áureos. As estórias do Waldyr, qualquer dia conto, para evitar que fique muito longa a postagem.

Os dias de decadência chegaram ao O Corujão e creio que para tentar a sua salvação, fundaram um bloco homônimo, com um grande trio elétrico, que percorria as ruas de Belém, saindo da frente do bar e tendo a apoteose na Praça da República, se minhas recordações não falham. De toda a vida do O Corujão, somente participei desta época.

Mas, no que pese a importância do Corujão, ainda assim fechou, saindo do barco o Waldyr, que montou o seu restaurante próprio, o Alô Waldyr, na Rua Bernal do Couto, que teve uma vida breve.

Mas eis que surge o Beto Grill, do Beto, claro, fundador do O Corujão, agora na rua Doutor Moraes, entre a rua Conselheiro Furtado e a Rua dos Mundurucus, em frente a Fox Vídeo.

É certo que o restaurante não possui mais a importância política dos tempos áureos do o Corujão, mas ainda assim é frequentado por políticos, da antiga e da nova geração, empresários, advogados e pobres mortais, como este cronista nostálgico.

Também é certo que muitos vêm ao Beto Grill pelos tempos áureos do O Corujão, mas, ainda continuam vindo por o restaurante ter seus encantos.

Primeiro e peça fundamental é o Beto. Não o conheço, mas sempre o vejo com a sua bermuda, camiseta, sandália transpassada, sentado em alguma mesa, sozinho ou papeando, mas sempre com o seu olhar atento para certificar do padrão de qualidade do serviço e da comida.

E não somente por isto. A simpatia dele é contagiante, tratando bem indistamente qualquer pessoa, seja político, seja empresários, seja o mero frequentador.

O segundo, é o serviço. Garçons atenciosos, solícitos, conversadores e, o que eu gosto, mesmo que pague caro a dose do uísque, mesmo sem pedir, o "choro" do garçom é para políticos do nível de Gorbachov e Lula!

E o encanto final, a comida! Mesmo para aqueles que não gostam do sistema self-service, a qualidade é inegável e a presença das comidas regionais é diária. A mainçoba, o pato no tucupi, o bacalhau, são figuras dos almoços do dia-a-dia.

Mas, para mim, os carros chefes da casa são o arroz-de-pato, que dizem que o Beto foi o inventor do prato, que se popularizou nos restaurantes e nas casas de Belém, e o indescritível pirarucu de casaca, para mim o melhor que comi - excetuando tão somente o Tia Dedé Affonso, é claro -, que pode ser saboreado todos os dias.

Para não deixar de registrar, em outros tempos se vendia mussuã no local. Mas, pelo que sei, a iguaria foi substituída por outra, que é o mussuã de botequim, desta vez não mais um quelônio, mas um prato feito de músculo de boi, que vale a pena provar.

O Beto Grill fica na Doutor Moraes, 581.


Do Rio de Janeiro para Belém.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Mais uma estória de violência

Na última segunda-feira eu e a Preta quase fomos vítimas de um assalto ou, pior, de um sequestro relâmpago. 

Tomando um caminho que faço há três anos, no mesmo horário das 15 horas da tarde, vejo um carro desviar e revelar, na minha frente, um meliante com arma em punho, para que parássemos o carro, com o intuito de assaltar ou, sabe-se-lá, nos tomar de sequestro ou algo parecido. Eu, não sei se certo ou errado, baixei a Preta e avancei sobre o assaltante - Prefiro chamar assim, para não dizer sequestrador e, muito menos, assassino. Óbvio que não o atropelei e, graças a Deus ou qualquer um que esteja lá em cima, seja anjo da guarda, qualquer Santo, Alá ou similar, não teve maiores consequências que não um grande susto.

Daí me passou uma semana de reflexão. Contei a estória para alguns amigos e, inclusive para um amigo meu, que todos me questionaram a via que eu estava pegando e, alguns, que eu não deveria ter feito o que eu fiz, de não parar e avançar sobre o bandido. Ora, de início, não sou adepto da ciência da vitimologia. Não acredito, sob nenhuma hipótese, de que a vítima, no caso eu e a Preta, estamos propiciando qualquer influência para sermos assaltados pelo simples fato de termos pego a mesma via que pegamos no mesmo dia e na mesma hora há três anos. Segundo, não poderia ter agido diferente, pois se parasse, não sei o que aconteceria com a Preta e, quiçá, com o meu filho, que poderia ser objeto de alguma chantagem, mesmo estando em casa.

Cada vez mais, penso no meu repúdio desde à época de adolescente à mentalidade pequeno-burguesa de afastar a pobreza e a criminalidade de todos, como se fosse um câncer social e que as pessoas fingem que não vêem e se encastelam em seus condomínios fechado e quem tem recursos compra a segurança e não está na rua.

Vejo a impossibilidade de estar na cidade a pé, sem os carros de vidro fechado e películas negras como o breu. Vejo um mundo lá fora paralelo ao que vivemos, com violência e ritmo de vida que não chegam à classe média e, pior, quando se fala nesse mundo, fingimos não acreditar e que ele não existe.

Cada vez mais esse mundo paralelo cresce e as formas de proteção vão sendo tomadas por quem tem dinheiro, ao mesmo compasso que estes mesmos fingem não ver a violência. Carros blindados, condomínio fechado, segurança, nunca ir para a periferia ou tomar vias que passam por áreas de caráter duvidosos, poderia escrever mais uns quinze parágrafos sobre este assunto e continuaria sendo atual e instigante, demonstrando o total e completo afastamento da violência que nos circunda e, mesmo assim, fingimos ter uma postura britânica de indiferença acerca do tema.

Para abreviar esta conversa, eu, vejo, virei um pequeno-burguês, que ignoro a violência que está a minha volta e entranhada na minha vida, fingindo não acreditar que ela existe, dentro de um condomínio fechado, trafegando por ruas movimentadas e tomando, instintivamente, as precauções de estilo.

E esta mentalidade pequeno-burguesa se acentuou após o incidente da segunda-feira passada.

Da base.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Piracatú e Point do Açaí


Este final de semana tive a oportunidade e o prazer de conhecer os dois novos restaurantes paraenses, que uso apenas uma postagem pelas suas similaridades.

O primeiro, tradicionalmente santareno, conheci naquela Cidade e por muito tempo frequentei. De passagem por Santarém, imperdível a fuga para o Piracatu. Infelizmente, em Santarém, o restaurante fechou, creio que ainda no ano de 2007 ou 2008 e, para a nossa sorte, abriu no ano passado aqui em Belém, na Rua Padre Eutíquio, nº 1172, tels. 3222-7509 e 91199515, ao lado do Shopping Pátio Belém ou, para os mais antigos, ao lado da Visão.

A base, claro, peixes do Rio Tapajós, tambaqui, pirarucú, além de pescada amarela e tucunaré, com toques regionais do baixo amazonas, dentre outros frutos do mar e mesmo carnes. Comi neste domingo o filhote a João Tonini (ou nome similar), que é um belo filé alto de filhote frito, daqueles alaranjados e crocantes por fora e branquinhos e macios por dentro, que só um especialista em peixe sabe fazer, acompanhado de farofa de tambaqui e banana e arroz com tucupi e jambú (por volta de R$ 60,00, servindo duas ou três pessoas). Delicioso.

O segundo, o Point do Açaí, localizado na Boulevard Castilhos França, entre o Banco Central e a Presidente Vargas (http://www.pointdoacai.net/restaurante.php), é uma proposta ousada, que está dando certo, em representar a comida paraense na sua forma mais popular. Explico: o restaurante serve peixes nobres, como o pirarucú, e os mais populares, como a Gó, passando por camarões, jabá, carne de sol, filhote, pescada amarela, tudo acompanhado do açaí nosso de cada dia. Aquele mesmo, da "morrinha" depois do almoço.

Pedi uma chapa que vem frango, pescada amarela, camarão, carne de sol e jabá, logo trouxeram acompanhando cerca de um litro de açaí, já estando na mesa os recipientes com o açúcar e a farinha de tapioca. Comeram três pessoas e ainda levamos para casa (cerca de R$ 60,00).

As similaridades entre os dois restaurantes: ambos regionais, com atendimento a desejar - e precisam melhorar muito, pois os garçons são extremamente amadores. Se o leitor for daqueles que se irritam com o garçom, como diz o meu amigo Gustavo, tome um rivotril antes -, com a comida deliciosa, cada qual na sua especialidade e, o melhor, ambos estão em prédios históricos.

O Piracatu está em um daqueles casarões tradicionais dos paraenses, onde muitas avós de leitores, inclusive da Preta, moravam e que, por algum tempo, ficaram esquecidos no centro da Cidade. Foi feita uma restauração despretensiosa, mas não menos cuidadosa, no casarão, conservando as suas faixas originais, que combina com a proposta do local.


O Point do Açaí, por sua vez, está em um casarão bem mais imponente, de três andares, cuidadosamente restaurado, um paredão de azulejos na frente, com suas longas escadas de madeira - se tiver alguma restrição com os seus joelhos, peça para ficar no térreo -, pé-direito alto nos três andares e amplos salões. Muito bonito, estando o proprietário de parabéns pela iniciativa culinária e, principalmente, de preservação do patrimônio histórico de Belém.

Aliás, parabéns aos dois empreendedores, pela proposta dos restaurantes, pela excelente comida e pela conservação do patrimônio histórico.

Da base.

terça-feira, 24 de abril de 2012

O Centenário do Cinema Olympia




Um pouco esquecido nas redes sociais, mas comemorado com justiça nos meios alternativos e culturais, o Cinema Olympia faz 100 anos hoje. É o cinema mais antigo do País em atividade.

Famoso e festejado durante toda a sua existência, fazendo a alegria de adultos, mulheres e crianças, abastados e nem tanto, cultos e pops, sempre foi unanimidade e orgulho dos paraenses, ainda hoje. Sempre o mais luxuoso, com as melhores películas, comerciais ou não, e de vanguarda.

Mesmo tendo estas características, nos final dos anos noventa, o cinema começou a decair, passando por uma fase de crise de público, como em todo o cinema mundial. Até que, em 2006, o Cinema tentou fechar as portas, não ocorrendo pelo reconhecimento da Prefeitura de Belém, que o alugou transformando em centro cultural (para mais história: http://www.cinemaolympia.com.br/historia.html e http://espacomunicipalcineolympia.blogspot.com.br/). Deveria mesmo é tê-lo desapropriado e tombado como patrimônio histórico. Tudo bem. Pelo menos salvou o Olympia.

Personagem importante nesse contexto foi o Sr. Adalberto Augusto Affonso, o gerente que mais tempo permaneceu a frente do Cinema. Conta o sítio citado acima que foi incansável pela manutenção do Cinema e que sentia orgulho pela sua administração.

Este personagem é avô da Preta, no qual ouço muitas histórias nos almoços de domingo, desde a seriedade com que conduzia o cinema, até as traquinagens de seu filho Laércio Affonso, que por vezes o ajudava a cuidar da bilheteria ou da pequena venda de bombons e pipocas que possuía na entrada do cinema (assunto para outra postagem), venda esta que conheci e que fazia a minha alegria nas sessões.

E as memórias e a formação deste Cavalcanti não seria a mesma inexistindo o Olympia. Lembro que mesmo antes de chegar em Belém, durante as minhas férias de julho ou de dezembro, sempre corria para o Olympia ou o Cinema Palácio (que foi transformado em uma igreja há muitos anos). Sempre foi um programa inesquecível, com partida no ônibus, descendo na parada da Presidente Vargas na Praça da República e enfrentando a constante fila para entrar no cinema, filme e, na saída, o cachorro quente tradicional na Praça da República, bem ao lado do Olympia, com a companhia constante do meu primo, Maurício. Por muitas vezes, me aventurando sozinho, assistindo filmes sem conseguir cadeiras, escorado em uma de suas pilastras laterais ou sentado no chão.

Mais tarde, na adolescência, a brincadeira, a paixão, a formação da cultura e, posso dizer no meu caso, do caráter, nas esticadas após o cinema ou mesmo antes, no mundo que era, e ainda é, a Praça da República, na qual o Cinema Olympia é um coadjuvante merecedor de oscar.

Filme inesquecível? Claro, Titanic, de James Cameron, com Leonardo DiCaprio e Kate Winslet, na qual passei metade do filme apaixonado e a outra metade aterrorizado pelas consequências do naufrágio, mascante também pelas confortáveis instalações do cinema.

Hoje, grande festa está acontecendo, sob o comando da Prefeitura de Belém e parceria do Governo do Estado, homenageando este Cinema que moldou a história e faz a lembrança de muitos que estão lendo, com merecidas homenagens, ao Olympia propriamente dito, Pedro Veriano, Adalberto Affonso e outros que contribuíram para a longevidade do Olympia e por tornar inesquecíveis aquelas poltronas vermelhas.


Da base, Belém, Pará.*

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Os Cavalcanti's e os Barbeiros

Barbeiro está em extinção, sendo cada vez mais raros nos grandes centros e, pelo que tenho visto, nas pequenas cidades. Contudo, ainda há uma população masculina que, como eu, precisa de um lugar com cortes precisos, rápidos, com barbas sendo feitas com navalhas e sem muita burocracia.

Em Sampa, há um movimento para recriar as barbearias das décadas de 40 e 50, com ambientes decorados e cadeiras cromadas, em que conheci na Rua Augusta a Barbearia IX de Julho (http://www.barbearia9.com.br/), com filiais no Itaim e no Centro.

Em Belém, conheço duas barbearias, ambas de barbeiros provenientes do saudoso Central Hotel, na Presidente Vargas, que possuía os melhores profissionais da Cidade, sendo local invejado por todos. Lembro do Hotel e da barbearia já decadentes, na minha época de pré-adolescência, quando uma vez fui passear de ônibus pela Avenida.

Mais simples, mas com qualidade até mesmo superior à paulista, temos o Barbeirinho e o Moacir Carioca, o Rei da Tesoura, ambos com seus estabelecimentos na Antônio Barreto, entre Dom Romualdo de Seixas e Wandenkolk. O primeiro, do lado direito e o segundo, do lado esquerdo, ao lado do Laboratório Amaral Costa.

O Barbeirinho, não conheço, mas alguns amigos meus cortam no local e dizem que é muito bom, sempre com a mais recente edição da conhecida revista masculina para o entretenimento dos clientes, além da boa conversa.

O Carioca, escrevi algo sobre ele há algum tempo neste blog, contudo, o que não falei é que ele cuida da cabeleira dos Cavalcanti's há 35 anos. O meu pai passou 34 destes cortando o cabelo lá e eu, pelo menos 15. Agora, a nova geração começou a cortar o cabelo no local, com apenas 9 meses, levado por mim.


São três gerações dos Cavalcanti's tendo a cabeleira cuidada pelo mesmo barbeiro, raro, por sinal.

Da base, Belém, Pará.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Caldo de Camarão da AP

Depois da farra enogastronômica de ontem, precisava de um caldo e me surpreendi com o caldo de camarão do restaurante Toc-toc da Assembléia Paraense. Delicioso e generoso em camarões (R$ 15,00).




Da base, Belém, Pará.

- Posted using BlogPress from my iPhone

sábado, 8 de outubro de 2011

O lado profano do Círio de Nazaré


Somente tive a idéia desta postagem hoje de manhã, vindo tardiamente para se aproveitar neste Círio de Nazaré. Mas, as dicas servem para todos os Círios, pois são eventos já consolidados no calendário extra-oficial do Círio de Nazaré. Como diz o adágio popular, antes tarde do que nunca!

Poderia dizer que são eventos profanos, pois estão a margem dos principais eventos religiosos, como a transladação, o círio fluvial, a moto romaria e, é claro, a grande procissão do segundo domingo de outubro.

Mas, não se enganem, digo profano tão somente por não estar no calendário oficial do Círio de Nazaré, mas todos, indistintamente, servem tão somente a um objetivo: Louvar a Virgem de Nazaré, a Padroeira dos paraenses, ou, como é conhecida nestes eventos, a nossa querida Nazinha.

Quinta-feira a noite, véspera do segundo domingo de outubro:

O meu Círio de Nazaré começa na quinta-feira a noite, véspera do segundo domingo de outubro, quando os artesãos dos brinquedos de miriti chegam a Belém. Para os que não conhecem, os brinquedos de miriti são tradição no Pará. São brinquedos que são esculpidos por artesãos, geralmente de Abaetetuba, Município próximo à Capital, da árvore do buritizeiro, recebendo as mais variadas formas.


Os artesão chegavam na Praça em frente a Catedral da Sé, onde chega a transladação e sai o Círio no Domingo, em um festival de cores e formas que alegram qualquer criança, de 10, de 30, 50, 80, ou mais anos. Disse chegavam, pois, a partir deste ano eles passaram a se concentrar na Estação das Docas, perdendo um pouco a beleza e a originalidade, mas ganhando em conforto.

Mas, aos que prezam o tradicionalismo, ontem a noite, em uma conversa em um destes eventos, ouvi falar que existem alguns artesão dissidentes, que continuam com a tradição, se reunindo na Praça. Se não puder ir quinta a noite, outro dia bom é o sábado a tarde, durante ou depois do cortejo do arraial do pavulagem.

Depois da feira, é certo no meu calendário o Bar do Rubão, na Cidade Velha, bairro onde começou a Cidade de Belém. O Rubão, é uma figura conhecida nesta Cidade, o porta-estandarte da escola de samba Rancho Não Posso me Amofiná. Exímio cozinheiro, possui um barzinho pé-sujo na Travessa Gurupá, 312 (http://bardorubao.blogspot.com/), próximo ao Canto da Sereia (uma casa de esquina, que existe a escultura de uma sereia no alto), que nesta época de Círio prepara as mais diversas iguarias paraense, o pato no tucupi, a maniçoba e um pirarucu assado de forno, além dos tradicionais tira-gosto de charque, camarão e outros. Sente-se em uma mesa ou com a cadeira na rua (ontem, inclusive, a rua estava fechada pelos frequentadores), e coma o que quiser com uma cerveja bem gelada e, se possível, tente conversar com o Rubão, descobrindo algumas facetas de sua personalidade. O bar abre cedo, às 20h, e normalmente fecha cedo.

Foto do Blog do Bar do Rubão, com os seus ajudantes.

Sexta-feira a noite, véspera do segundo domingo de outubro:

Na sexta-feira, por volta das 19 horas, a tradição é o Auto do Círio, que sai da Praça do Carmo. O evento é realizado por vários artistas que, no início dos anos noventa, se reuniram para fazer uma homenagem a Nossa Senhora de Nazaré. São alguns carros alegóricos e muitas pessoas fantasiadas com temas dos mais diversos, fazendo performances de dança, canto, teatro, etc. O espetáculo é belíssimo, caminhando pelas ruas da Cidade Velha, saindo da Praça do Carmo, fazendo quatro paradas para as mais diversas encenações, passando pela frente da Catedral da Sé, onde tem o belo, e as vezes cômico, ritual do pedido de permissão para a Santinha para os participantes continuarem com o louvor, findando na frente do Tribunal de Justiça do Estado do Pará.

Hoje o espetáculo se tornou grandioso, majestoso e rico. Mas nem sempre foi assim, começando com um pequeno grupo, passando por fases difíceis, sem qualquer patrocínio e quase acabando. Mérito dos organizadores pelo lindo espetáculo.

Impossível não se emocionar por várias vezes no trajeto.

Antes e depois do Auto, tem o bar Nosso Recanto, único bar da Praça do Carmo, que também serve diversas iguarias próprias dessa época. Mas o imbatível é o camarão empanado com queijo catupiri, desses que a gente pede uma cerveja e para em qualquer lugar, até mesmo em pé, e começa a se deliciar com a fritura (essa palavra ainda não é pecado, mesmo que alguns não acreditem).

Sábado de manhã, véspera do segundo domingo de outubro:

A minha programação preferida, o grande Arraial do Pavulagem, um grupo de boi, com uma grande orquestra de ritmistas e batuqueiros, que está em vias de ser, ou já foi, tombado como patrimônio imaterial do Estado do Pará. Tudo bem artesanal e tradicional, sem os megas trios elétricos e os modernos carros de som dos grupos de Axé.

O Arrastão do Pavulagem, como é chamado, tem início por volta de meio dia. Varia o horário, pois ele começa quando a Santinha chega na famosa escadinha, em frente a estátua de Pedro Teixeira, no início da Av. Presidente Vargas.

Chega a Nazinha no Círio Fluvial, é colocada em um carro da Polícia Rodoviária Federal, dando início a motoromaria, o Arraial do Pavulagem já está com os seus tambores prontos, começando uma rápida homenagem, ao som de sua percussão, misturando a cadência dos instrumentos musicais ao som frenético das motos que partem com a Santa. É emocionante.

Saindo a Santa, parte o cortejo pelo Boulevard Castilho França, passando pela frente do Mercado do Ver-o-Peso, onde acontece um dos pontos altos do arrastão, o banho de cheiro feito pelas donas de barracas de cheiro do Ver-o-Peso.

Foto do site diarioonline

Subindo pela Praça do Relógio, ao som dos batuqueiros e das músicas cantadas pelos participantes, com enormes brinquedos de miriti passando de uma mão a outra, a apoteose acontece na Praça do Carmo, que já está lotada a espera do show dos integrantes do Arraial do Pavulagem, a banda menor. Aí a festa tem início, sem hora para acabar. Nos anos anteriores, valia dar uma volta pela Praça na frente da Catedral da Sé, pertinho do local, para ver os brinquedos de miriti. A partir deste ano, não sei como está. Ano que vem aviso a todos.

Sábado de noite, véspera do segundo domingo de outubro:

Meio de ressaca, ainda tento ir, como fui por muitos anos, na esquina da Praça dos Estivadores, no Boulevard Castilhos França, para ver a Santinha passar e assistir o grandioso espetáculo de fogos em homenagem à Nossa Senhora de Nazaré. O primeiro contato com a Santa e pausa para rezar e pedir proteção para mais um ano. Afinal, nem só de festa vive o Círio.

Após os fogos, Festa da Chiquita Bacana, no Bar do Parque, na Praça da República, em frente ao Teatro da Paz. Capitaneada pelo irreverente Cantor Eloi Iglesias, de Pecados de Adão, que embalou muitos namoros de adolescência de várias pessoas que estão lendo esta postagem, a festa não possui e nunca possuiu uma convivência pacífica com as autoridades locais e com a organização religiosa do Círio de Nazaré, o que levou, inclusive, em alguns anos da Administração do Prefeito Hélio Gueiros, o Papudinho, que faleceu este ano, a ser proibida.

Mas a festa resistiu e continuava acontecendo quando, por volta do começo do ano 2000, o Prefeito Edmilson a reativou, o que lhe rendeu inclusive o troféu Viado de Ouro, a premiação máxima do evento, dado às autoridades e homenageados. Pois'é, o motivo da resistência com a festa é que ela é organizada e possui muitos participantes homossexuais. Hoje possui um palco, com apresentações de cantores e transformistas, premiações, concursos, etc, tudo de forma bem irreverente e divertida.

Conta a lenda que a festa começa quando passa a trasladação e somente termina quando a grande procissão retorna. Nunca fiquei para ver, pois tem o Círio no dia seguinte.

Domingo de manhã, o Dia:

Mesmo depois de todas estas festas, não se pode deixar de ver, pela última vez durante o Círio de Nazaré, a Nazinha. Quem não quer ou não pode acompanhar a Grande Procissão, pode ir para a frente do mais querido, o glorioso Clube do Remo, onde a Avenida Nazaré é mais larga, geralmente a Corda já se despreendeu da Berlinda e muitos romeiros já deixaram a procissão, fazendo com que seja mais tranquila a última oração para a Santinha.

Este é o meu Círio de Nazaré, que ficou suspenso o ano passado e o atual, pelo nascimento do filho, hoje com seis meses, mas ano que vem retomo as atividades, algumas delas com ele, que já conheceu e se encantou com a Feira de Miriti.

Encontre o seu Círio!

domingo, 2 de outubro de 2011

Casa D'Noca

Há alguns meses, fui atrás de uma nova proposta que estava surgindo em Belém, um misto de bar, restaurante e casa de show, tudo ligado ao samba. Fui em um sábado, quando a pedida era, e ainda é, feijoada ao som de chorinho. Havia um chorinho nada empolgante e uma feijoada boa, mas só boa, com diversos itens do cardápio faltando e com um serviço de garçom deixando muito a desejar.

Ontem voltei ao local para comemorar o aniversário de minha amiga Edilene, desta vez a noite. Parece-me que a Casa D'Noca (http://www.casadnoca.com.br/) se acertou e está cumprindo muito bem o papel a que se propôs: Uma casa de samba ao estilo da Lapa. Está excelente.

O local, uma das atrações, é um casarão típico de Belém, com pé direito alto e amplas salas e espaços, inclusive com um belo quintal, com uma mesa de "bilharito" ao fundo, tudo eficientemente decorado e planejado. Aliás, a decoração fez toda a diferença, que não existia na primeira vez que fui ao local. 

Na entrada, recebidos por dois seguranças gentis, somos logo adornados por uma eficiente pulseira de papel, que possui um número em que todos os pedidos são registrados neste número da pulseira que é vinculado ao seu nome logo na entrada. Aliás, esse sistema é mais eficiente e muito mais seguro do que as cartelas onde se anotam os pedidos, comum nos bares da Lapa, que gera incontáveis riscos, como a perda e a inutilização. A entrada custa R$ 10,00.

A cozinha está muito boa, tanto para petiscos, como o filé ao molho de gorgonzola, quanto para os pratos para jantar, como o picadinho, e os diversos tipos de sanduíches, com preços honestos e suficientes para uma boa qualidade da comida. O serviço também melhorou consideravelmente, com garçons jovens, mas muito atenciosos e fazendo o possível para o bom atendimento e a satisfação do cliente.

Nos dois salões da frente se instalaram as bandas de samba ou de chorinho, em um pequeno palco rodeado por mesas e um amplo espaço deixado para circulação e para os que querem ficar em pé e dançar. A noite de sábado estava animado, com a música impecável de, primeiramente, Flávia dos Anjos, ex-Batom Carmim, e depois de Olívia, cantora de primeira deste Estado, que não deixa nada a desejar se comparada com eventuais atrações do Rio de Janeiro que de vez em quando passam pelo local.

Mas se quiser algo mais calmo, o cliente tem a opção do quintal cuidadosamente decorado, em que o som das bandas é ouvido em tom ambiente por meio de alto-falantes, indicado para uma paquera ou um bom bate-papo.

Gostei muito e a Casa D'Noca é um raro exemplo em Belém de local que vai se aprimorando com o passar do tempo. Aliás, espero que a proposta dure bastante aqui nesta Capital.

Da Base, Belém, Pará.

domingo, 31 de julho de 2011

Picanha & Cia

Voltando aos restaurantes de Belém (mais do que justo, pois moro aqui), há muito que frequento o primeiro Picanha & Cia, na esquina da Rua Bernal do Couto com a Almirante Wandenkolk, comendo os mais variados pratos de churrascos e carnes na brasa, e sempre gostei muito.

Hoje decidi me aventurar com a Preta e com o Pedro pela não tão recente casa de churrasco a rodízio do Picanha & Cia, na Avenida Pedro Álvares Cabral, entre a Dom Romualdo Coelho e Almirante Wandenkolk, também no bairro do Umarizal.

Grata surpresa! O lugar é amplo, existe um buffet de frios que inclui queijos diversos e presuntos, um buffet de saladas e mais um de comidas diversas, com caldo de lagosta, paella, camarão e outros.

O atendimento é excelente e as carnes, mesmo em um domingo de grande movimento, estavam ótimas, suculentas, incluindo cortes argentinos, como bife de tira e bife ancho, cortes norte americanos (ou  Australiano), como a costela premiun, e muitas outras opções, picanhas, bacalhau na brasa, salmão ao molho de maracujá, etc. As cervejas, as mais variadas, e dos melhores rótulos, incluindo Eisenbah, devassa, Baden Baden, e outras.

Na saída, descobri que o Picanha possui um serviço de condução para os que desejam ir sem carro e os que se permitem bebemorar sem preocupação.

O preço? Bom, o preço é salgado (R$ 61,90, por pessoa), comparáveis a churrascarias como o Porcão e o Vento Aragano, mas vale a pena em uma cidade que possui poucas opções de churrascarias de qualidade.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

A reinvenção da Fox Vídeo

Lugar genuinamente paraense, tanto quanto a Estação das Docas e a Casa das Onze Janelas, é a Fox Vídeo. Locadora de filmes e documentários, onde se pode encontrar não apenas lançamentos de sucessos, como em muitas locadoras, mas também títulos clássicos e raros, o que a torna uma locadora que não deve a nenhuma outra do  Brasil.

Com a recente crise das locadoras, decorrente da venda maciça de filmes piratas, muitos estabelecimentos foram fechados, inclusive as pequenas locadoras de bairros, que não existem mais em Belém, como foi o caso da locadora de meu tio e da que ficava na esquina de casa, a Premiere, que eu compareci diariamente durante toda a sua existência. Aliás, digno de memória foi o fechamento de uma filial da gigante multinacional Blockbuster, que ficava na esquina das ruas Alcindo Cacela com a Conselheiro Furtado, em decorrência dessa prática criminosa.

A Fox Vídeo sobreviveu, não incólume, pois fechou as portas da sua filial da rua João Balbi, mas ainda assim sobreviveu.  A receita foi se reinventar, passando a abrigar, também, a venda de títulos, usados e novos, e uma livraria, tão rara  nestas terras paraoaras depois da escassez da livraria Jinkings. Aliás, quanto à livraria, possui bons e diversificados títulos, que vale a pena uma visita.

Na Fox da rua Doutor Moraes, há também o café Fox, excelente, que serve desde lanches sofisticados, com  sanduíches, salgados, bebidas variadas e doces, até alguns poucos pratos. Na mesma filial da Doutor Moraes há também uma pequena loja, que vende camisetas, almofadas, caixas e os mais variados produtos com temas ligados ao cinema, além de CD's de música, com títulos que não são facilmente encontrados, inclusive uma das melhores diversidades de cantores paraenses que já vi. 

Gosto de passar no local para tomar um chocolate gelado, feito em uma máquina com gelo, com bastante calda de chocolate, que faz a alegria de qualquer criança, pequena ou grande, como o escritor.

Que a Fox seja para sempre.

Da Base, Belém, Pará.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Bardalo

Descobri domingo, com tristeza, que fechou o Bardalo. Para os que não conhecem, Bardalo é a contração do nome "Bar do Seu Bordalo", que ficava localizado na Avenida Bernal do Couto, entre as Don's Romualdo's, de Seixas e Coelho, comandado pelo português legítimo, tunante e sócio do Grêmio Literário Português, Teófilo Bordalo de Souza.

Primeiro a figura, que veio para o Brasil na adolescência, tentar a vida, passando por todos os tipos de profissão que o lusitano passa: feirante, padeiro, vindo a culminar como dono de bar. O mais famoso que teve ficava na João Balbi com a Generalíssimo, depois mudando de endereço para onde funcionava atualmente, o único que eu conheci.

Muito simpático e alegre, possui uma memória invejável, mesmo do alto de seus oitenta e cinco anos, contando passagens da vida política e social, de épocas remotas, que não vi ninguém se lembrar. Possui conhecimento de todas as pessoas de Belém, conta detalhes dos acontecimentos e de suas vidas íntimas. A alegria é peculiar, nunca o vi irritado ou zangado, sempre fazendo uma brincadeira, geralmente de duplo sentido, com os frequentadores do bar.

Me lembro sempre de sua figura tomando cerveja com os clientes, chorando como um garoto quando ouvia o refrão "... bandeira branca amor, não posso mais...." e, quando chegava nove e meia da noite , olhava para os clientes e dizia, com o sotaque português: "vamos, está na hora de eu ir dormir...".

Aliás, chamar de clientes os frequentadores é injusto, pois são todos amigos. A mim, creio que tem um carinho especial. Eu tenho por ele.

Durante muito tempo o bar e o seu Bordalo fizeram parte da minha vida. Quando queria me divertir era para lá que ia, mesmo em dias da semana. Quando algo me chateava, ía no fim da tarde ao Bardalo, ouvir as histórias da política baratista ou do começo da vida pública do Jáder Barbalho, sempre entremeadas com brincadeiras e uma cerveja, as vezes com um  queijo cuia. Não gostava do sábado antes do almoço, que era o dia de todos frequentarem. Gostava da semana, com poucos, quando podia ouvir o Teófilo, como alguns o chamavam.

O inusitado foi quando descobri que o seu Bordalo se lembrava do dia em que eu nasci. Mesmo que por coincidência tenha passado a frequentar o bar, apenas por ser perto da casa da minha mãe, descobri, não sei porque, que no dia em que nasci o papai passou pelo bar, ainda na João Balbi, viu uma cerveja antártica e perguntou se tinha no local, pois na época em poucos lugares de Belém vendia a marca de cerveja preferida do papai. "Tem tanta que está até vendendo!", deve ter respondido o Teófilo, uma de suas brincadeiras preferidas. Foi aí que teve o meu primeiro "mijo".

Contavam, seu Bordalo e Papai, que neste dia se conheceram e, muitos anos depois, se reencontraram, já no bar novo, quando o papai tinha saído para comprar jornal e passou pela frente do bar. Não tenho certeza, mas acho que me lembro desse dia, quando moleque desci do apartamento que morava com o papai e mamãe  para ver porque a compra do jornal estava demorando e encontrei os dois conversando. Eu, por coincidência do destino ou por simplesmente meus pais terem comprado um apartamento próximo, conheci, anos depois, o seu Bordalo.

Parei há algum tempo de frequentar o Bardalo, em busca de locais mais sofisticados, o que hoje me arrependo, pois não abrirá mais e, mesmo que ainda continue ouvindo as estórias contadas pelo Seu Bordalo, quando eventualmente encontrá-lo, não será acompanhado pela cerveja mais ou menos gelada, no balcão, onde sempre via a máquina registradora da década de quarenta ou cinquenta, capenga, mas ainda funcionando e, certamente, não terá a mesma alegria que possuía.

As estórias do Bar do Seu Bordalo são tantas que outras vezes trarei para complementar as minhas memórias. O Bardalo é um dos últimos da geração de bares comandados por portugueses por aqui, restando, pelo que me lembro, somente o Paladino, com o tradicional queijo cuia, na esquina da Oliveira Belo com a Generalíssimo Deodoro.

Da base, Belém, Pará.

domingo, 6 de março de 2011

Rua Gaspar Viana

Não pretendo fazer deste espaço um blog para fotografias, pois não sou fotógrafo e muito menos ando acompanhado de máquinas fotográficas, possuindo apenas, na maior parte das vezes, meu iphone, que sequer tem algum recurso de luz ou flash.

Mas ontem, em pleno sábado de carnaval, quando passava pela Rua Gaspar Viana, entre a Travessa Quintino Bocaiuva e a Avenida Doca de Souza Franco, encontrei um lava-jato em um daqueles galpões antigos e decidi colocar o possante para tomar uma ducha. No fim da tarde, vi um dos mais bonitos pôr-do-sol, melhor, um dos mais bonitos céus, que gostaria de compartilhar com os leitores.


Recordei que o meu segundo escritório foi naquele mesmo perímetro, um pouco mais a frente, em um daqueles galpões em que a irmã do meu sócio possuía uma empresa de serigrafia, e que, certamente, com a pressa da juventude, ou mesmo com a impaciência de construir a vida o mais rápido possível, nunca parei para olhar em volta os galpões históricos, as ruas de paralelepípedos e o céu avermelhado no final do dia, que dava uma áurea pacata e singular do antigo porto de Belém, mesmo com os raivosos ônibus cruzando a Rua Gaspar Viana a toda velocidade.


Deixo a última imagem.


Da base, Belém, Pará.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Boteco das Onze

Um dos mais agradáveis locais de Belém é o Boteco das Onze, que tem o nome advindo da Casa das Onze Janelas, uma construção histórica às margens para a baia do guajará, de frente para a Catedral da Sé, no centro do bairro da Cidade Velha.

O local abre às 10 horas da manhã, todos os dias e somente fecha de madrugada, servindo almoço, petiscos no excelente pôr-do-sol e, pela noite, o restaurante se transforma em um bar badalado, além do excelente restaurante.

Por indicação do meu amigo Gustavo Salgado, vim comer o bacalhau a Moda do Paulo Chaves (R$ 98,00, para duas pessoas), que foi o idealizador do espaço. O Salgado diz que é o melhor bacalhau de Belém. Não sei se pode ser considerado o melhor, mas que disputa com grande vantagem com outros, disputa.




Como se vê acima, a vista é linda, mas, se preferir, tem a parte de dentro do bem decorado restaurante. Eu prefiro a de trás:




Hoje, me deparei com o cardápio novo, três, o de bebidas, o de refeições e o de petiscos, que melhorou ainda mais o Boteco, pois o antigo cardápio era confuso.

Se não quiser comer, vá simplesmente passear, pois o complexo é aberto ao público.

- Posted using BlogPress from my iPhone

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Armazém Belém

Comida de Shopping? Quem disse que não se pode encontrar uma que fuja do padrão? Aqui em Belém pode, no Shopping Boulevard, na Doca de Souza Franco.

É um mix de lanchonete, restaurante, bar, cafeteria e o que mais se imaginar de uma casa que vende gêneros alimentícios prontos para o consumo.

Pode-se comer desde pizzas (R$ de 12,00 a 16,00), antepastos (por volta de R$ 6,00, 100 gramas), salgados, tranças, até pratos para almoço ou jantar.

Comi hoje bacalhau, com risoto de parmesão e batatas ao murro (R$ 48,00) e a Preta, penne com camarão, que estavam deliciosos. A sobremesa de torta alemã de morango também.







Vale a pena passar e comer algo, Mesmo que seja
Comida de shopping.

Da base, 16 de julho de 2.011.

- Posted using BlogPress from my iPhone

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Casa do Bacalhau

A minha amiga Carla Melém, por estes dias, vem constantemente falando de bacalhau, principalmente de bolinho. Então, resolvi ir em uma casa que está aberta a alguns meses, com o nome apropriado: Casa do bacalhau. Aliás, estou aki agora.

Na Diogo Moia, 455, (91) 32236695, no bairro boêmio do Umarizal, o Restaurante serve qualquer tipo de bacalhau, desde as punhetas de entrada, bolinhos de bacalhau, pastel de forno, empadas, até os diversos tipos de pratos de bacalhau, como a bacalhoada e o bacalhau na brasa, com batas ao murro, acho que o meu preferido. Como entrada possui também o tradicional caldo verde. E para quem não gosta de bacalhau (será que existe?), alguns pratos de filé, filhote e camarão.

O preço dos pratos de bacalhau são similares: para duas pessoas, que servem três ou até quatro, R$ 75,00, o individual, que servem duas, R$45,00.

De sobremesa, pastéis de Belém (R$ 3,80) e outros.

Mas o melhor deixei para o final: não quer o restaurante, quer apenas a cerveja gelada e o bolinho de bacalhau, na frente do restaurante, na lanchonete, pare de carro no fácil estacionamento, sente em uma das mesas da calçada ou em pé no balcão, peça a sua cerpinha (R$ 3,90) e o seu bolinho de bacalhau (R$ 2,90), e o seu final de tarde será perfeito.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Vinho Los Cardos, Vinícola Doña Paula

Como se sabe, a representante Grand Cru teve um ótima inciativa quando levou um stand para o Supermercado Líder, filial Doca, aqui em Belém, pois tornou mais acessível vinhos selecionados. Com isso trouxe vinhos de excelente custo-benefício para a venda no Supermercado, como é o caso do Los Cardos, da vinícola mendoncina Doña Paula (R$35,90), que serve tanto para o dia-a-dia, mas que também não faz feio em uma ocasião especial. Provem o Malbec, que é o meu preferido.


Da base, Belém, PA.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Casa D'Noca

Nova proposta de bar e restaurante em Belém é a Casa D'Noca, situada na 9 de Janeiro, nº 1677, entre a Avenida Magalhães Barata e a Gentil Bittencourt, bem em frente ao portão lateral do Museu Emilio Goeldi (Tels: 81625958 e 32291792).

Instalada em um casarão antigo, típico de Belém, muito bem reformado mas mantendo as suas linhas originais, é um bar no estilo carioca, com cardápio também para refeições, servindo petiscos, pratos para almoço e jantar, sanduíches e os caldinhos de feijão e tucupi, além da cerveja original, e outras, bem gelada.

No sábado, a pedida é a feijoada (R$ 35,00), muito bem servida, que comeu eu e a Preta e ainda sobrou, acompanhada do bom chorinho, com direito a flauta e banjo. Nos demais dias, música, incluindo samba e pagode, tudo ao vivo, bastando conferir a programação do dia.

Da base, Belém, PA.