Comecei a ler A Morte em Veneza, de Thomas Mann, durante a minha viagem a Veneza neste último carnaval, como uma forma de conhecer um pouco mais da cidade para além dos cartões-postais. O livro, escrito por Mann — Prêmio Nobel de Literatura de 1929 — conta a estória de um escritor de meia-idade que, durante férias em Veneza, se apaixona obsessivamente por um jovem de 14 anos.
Confesso que a leitura demorou a engrenar. Achei boa parte do livro monótona, excessivamente lenta e pouco fluida. Mas tudo mudou nas últimas dez ou quinze páginas. Quando Mann começa a revelar uma Veneza decadente, triste, pútrida, sustentada por moradores e comerciantes preocupados apenas em preservar o turismo e os próprios interesses financeiros, a narrativa ganha uma força impressionante.
E o mais curioso é perceber que, apesar de o livro ter sido escrito há mais de um século, a Veneza que encontrei nesta última viagem — em que consegui permanecer mais tempo e observar melhor a cidade — mudou muito pouco. Com algumas exceções.
Da base.