De Orixá
Yemanjá
Também de encantados
Iara
Morenice jambo
que encanta
O sorriso pequeno
que enfeitiça
As covas fincadas na face
como poços de luz
hipnotizam
Seduz
A meninice preta
imune ao tempo
Da base, 07/07/2023
De Orixá
Yemanjá
Também de encantados
Iara
Morenice jambo
que encanta
O sorriso pequeno
que enfeitiça
As covas fincadas na face
como poços de luz
hipnotizam
Seduz
A meninice preta
imune ao tempo
Da base, 07/07/2023
O Barão transitava entre os Ponto de Bala, em frente a Zoomp, a Company, o famoso Manga Café, hoje inexistentes, mas, principalmente, na frente do Cosanostra, no pedaço mais badalado de uma Belém burguesa e jovem, nas quais desfilavam carros do ano importados, roupas de marca e esbanjamento de dinheiro, na engarrafada Braz de Aguiar, para os que querem ver e ser vistos.
Aparentando já ter cerca de quarenta anos, baixo, negro, sempre com roupas descoladas das marcas de grife que circundavam a Braz de Aguiar, destoava dos moleques brancos de quinze ou dezesseis anos que rondavam o local durante o dia, sejam os da alta sociedade ou mesmo de uma classe média que queriam estar entrosados. Mas, como disse, andava pelas rodas com desenvoltura e falando com todos, sem realmente conhecer ninguém.
Barão guardava carros na frente do Cosanostra, em seu auge, quando lotava a Benjamim Constant e a Braz de Aguiar. Naquela época, os desfiles de carros e a vontade de ser visto era tão grande que os carros não passavam ou passavam vagarosamente pela Benjamim, mas não havia nenhuma buzina ou irritação, apenas a espera para o “desfile”.
Pela tarde, quando saia da escola, via a desenvoltura do Barão, mas nunca tive o acesso para falar com ele. Somente o via, mas sem poder chegar.
Pela noite, quando os cabelos dos frequentadores começavam a esbranquiçar, uma vez vi a desenvoltura do personagem, transitando na frente do Cosanostra e do Manga Café, quando saí com o meu pai, sem no entanto entrar em nenhum dos dois bares.
A verdade que essa vida noturna de Cosanostra e Manga Café, na época, era um pouco difícil para quem morava no Guamá, com amigos lisos e em uma Belcity que os ônibus paravam de funcionar às onze horas da noite e somente voltavam às seis da manhã, tratando somente de chegar na Braz de Aguiar. Se formos considerar o preço de um bar da moda, como era o Cosanostra, era inacessível.
A crônica está longa, mas não posso deixar de contar uma das últimas do Barão: Um amigo, assíduo frequentador do “Cosa”, arranjou uma namorada extremamente ciumenta. Ambos conhecedores do Barão das áureas épocas. Esta, disse que o celular do Barão era muito antigo e deu um celular novo para ele. Todo dia, às seis e trinta da tarde, ela ligava para o Barão para saber se o meu amigo já tinha chegado no Cosanostra e se estava acompanhado. O Barão, inocentemente, passava toda a ficha.
Nunca soube se o Barão era mesmo um cara de bom papo, se era amigo ou, mesmo que inconscientemente, uma forma da elite de amenizar sua culpa pela desigualdade social naquele local tão elitizado. E o Barão, inocentemente, se beneficiou da sua figura “cult”.
Hoje, saindo do “Cosa”, fui buscar o meu carro na esquina, sob uma chuva torrencial, e ele estava lá, como esteve durante estes, pelo menos, trinta anos, molhado, sem mais as roupas de grife, mas vestido com um daqueles coletes de guardador de carro fluorescente e um cabelo artificialmente negro graúna. Dei-lhe algum dinheiro, desejei boa sorte e disse: - até a próxima, Barão!
Da base, 24/05/2023.
Quero um cigarro
Hoje está difícil
Vou voltar a fumar
A televisão ligada
Preenchendo o silêncio
A segunda garrafa na metade
E o monstro peludo e macio me abraça na tristeza
A respiração difícil
O choro preso desde a manhã
Dois ou três poemas de Byron
Ninguém pra conversar
O sopro da morena acalenta
Leio Macondo
Um Pai-nosso
Sem acreditar
22:48
De um dia longo
De uma vida longa
Com a obrigação de estar vivo
Da base.
Amigos,
Neste momento estou em isolamento por causa da COVID (antes que me perguntem, somente com sintomas leves, graças à santa vacina!) .
Então, mesmo não sendo crítico de cinema e nem pretendendo ser, seguem descobertas destes dias de ócio obrigatório, que indico!
BUGSY
Qualquer filme com Warren Beatty, Annette Benning, Harvey Keytel, Joe Montagna e Ben Kingsley deve ser visto!Ainda mais com a trilha sonora de Enio Morricone.
Um filme de gângster, que conta o amor do mafioso Bugsy (Warren Beatty) com a cantora Virgínia Hill (Annette Benning, mais linda que nunca), que leva a fundação de Las Vegas.
Filme de 1991, baseado em uma história real.
QUANTO VALE?
Também na Netflix, o filme trata de um fundo criado para compensações às vítimas do 11/09, tentando resolver uma das grandes questões (tabus) do direito, que é quanto vale uma vida quando se vai indeniza-la.
É um filme comovente e daqueles que enaltece o sistema norte-americano, que pensei que não ia gostar, mas me surpreendeu. Vale a pena!
Uma grande atuação de Michael Keaton, acompanhado do maravilhoso Stanley Tucci, que eu particularmente adoro.
MESSIAH
A trama desta série da Netflix se passa em volta de uma pessoa do Oriente Médio que tomam como o novo messias e este, em atitudes dúbias e em meio de contestados milagres, se porta como um.
A série se passa no Oriente Médio e nos EUA, como fundo a relação entre estes espaços e o fanatismo religioso.
Há rumores que a série foi cancelada sob a desculpa da pandemia, mas o certo é que a seria é polêmica e somente uma temporada já é uma boa diversão e dá o recado.
Surpreendente e misteriosa. Para se pensar.
Da base e isolado.