domingo, 23 de março de 2014

Antes do Pôr-do-sol, 2013

Acabei de assistir o último filme dessa excelente trilogia, que começou com o Antes de Amanhecer, passou pelo Antes do Pôr-do-sol, e agora o Antes da Meia Noite.


O primeiro, é a fase adolescente, em que se conhecem em um trem. No segundo, Paris, voltam a se ver após terem se perdido, no lançamento do livro sobre o encontro do trem. O terceiro e alardeado o último, trata do casamento com filhos, em época de separação.


Muito sucesso dentre os amantes de filmes cult's, o que gosto mais é o cuidado pelo realismo entre as relações de um casal e nos locais onde são ambientados: em um trem pela Europa, em Paris e, no mais recente, na Grécia.


Mas, reconheço, o principal das películas são os diálogos.


Mesmo tendo gostado mais do segundo,  em que se reencontram, com a cena já clássica da Julie Delpy dançando brevemente com um ar sexy recatado (se é que isto é possível), tenho que dizer que, para mim, o último é o mais realista e demonstra o relacionamento na época dos quarenta anos.


Gostei muito dos três. Assistam todos.




Da base.


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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O Advogado, John Grisham


Presente do meu amigo-irmão Abel em 2011, que somente por estes meses comecei a ler, me surpreendi. É mais um livro sobre advogados e tribunais do consagrado John Grisham, autor de romances como O Dossiê Pelicano, O Cliente e A Firma que, aliás, viraram filmes e este último, foi um grande premiado do Oscar. São pelo menos 25 livros e meia dúzia de filmes baseados na obra desse advogado, autor, político e filantropo (diretor de uma organização que defende prisioneiros inocentes) do Mississipi.

A obra de ficção fala de um jovem advogado promissor de uma grande firma da Capital americana, que lucra, como advogado, cada vez mais alto, mas sem tempo, que sofre atentado de um sem teto e começa a questionar o sentido de sua vida, 

Após o atentado, deixa o escritório de advocacia que trabalha, com mais de 400 advogados somente em Washingto D. C., e se engaja em um escritório pro bono, que trabalha para os sem-teto estadunidense gratuitamente e que consegue uma grande causa justamente contra o escritório que trabalhava.

Um livro de ação, muito bem escrito, que prende a atenção do leitor e com diversão garantida.

Da base.

Réveillon no Hotel Marina Park, em Fortaleza, Ceará


"Provavelmente o melhor do Brasil! O maior, com certeza, em um ambiente limitado.

O Hotel Marina Park fala por si e já transmite a grandeza e a excelência do Réveillon. É um grande hotel, com atendentes educados e atenciosos e o serviço de excelência. Se puder, fique no hotel e irá desfrutar, além do réveillon propriamente dito, o conforto e, mais que isso, as festas na piscina, que antecedem ao dia do final de ano.


Estas festas acontecem nos dias anteriores à grande programação, iniciando por volta de 13h, com DJs de música eletrônica e, após, com uma banda de música baiana. As festas são tão boas que dizem por aqui que a melhor praia de Fortaleza é a piscina do Marina!

A propósito, se não gosta de música baiana, descarte a opção deste réveillon, pois a maior parte do tempo é isso que vai ouvir. Mas se, como eu, tolera, vá tranquilo que a diversão é certa!

A noite do réveillon é temática, sendo a desse ano a Copa do Mundo e os grandes campeões. Três atrações, o sertanejo de Cristiano Araújo, o axé da Banda Acaiaca e a atração principal, o último réveillon da Banda Chiclete com Banana com o seu sorridente vocalista Bel.


Como disse, a estrutura é grandiosa, neste ano com tendas com comidas típicas dos países que compõem as seleções que vão disputar a Copa do Mundo, um grande Palco, típico de apresentações de grandes eventos e bebidas de excelente qualidade, tudo incluído no ingresso, ingresso este que poderá ser comprado independente de estar ou não hospedado no hotel, o que não ocorre com a piscina, por óbvio, reservada somente para os hóspedes.

Os únicos inconvenientes são o preço e que a bela Cidade de Fortaleza, que dispensa comentários, fica lotada nesta época do ano. Mas ambos são totalmente justificáveis, o preço é pago pois o réveillon termina as 7h da manhã do dia seguinte, regado a espumante e a uísque 12 anos, acompanhado de lagosta até essa hora, e quanto à lotação da Cidade, é uma ótima justificativa para você não precisar sair do hotel!

De Fortaleza, na piscina do Marina Park."

O texto acima está entre aspas porque foi escrito na tarde do dia 31/12/2013, na piscina do Marina Park Hotel e, naquele momento, até então tinha a certeza que seria grandioso e extremamente divertido.

Para explicar o que manchou o Reveillón do Marina, transcrevo trecho do email que a Preta enviou ao hotel:

"Os dias que passamos no local foram ótimos. O hotel tem uma estrutura excelente e os eventos que antecederam a noite do ano novo, e que pudemos participar, estavam muito animados.
Não posso deixar de registrar, no entanto, uma reclamação. Compramos o pacote para a noite do réveillon com tudo incluído. Ocorre que, logo no início da festa, tivemos a informação dos garçons de que não havia mais garrafas de champanhe disponíveis e nem gelo. Após muito insistir, tivemos a confirmação do que já imaginávamos, os garçons estavam VENDENDO AS BEBIDAS E O GELO.
Não havia qualquer fiscalização da organização da festa, o que permitia que esses funcionários atuassem livremente, cobrando por produtos que já havíamos pago.
Infelizmente, na situação em que nos encontrávamos, tivemos que pagar as bebidas e o gelo, pois, caso contrário, a festa acabaria para minha família, o que não é justo afinal o pacote que pagamos para passar alguns dias no hotel foi extremamente caro."



Na verdade, o que a Preta esqueceu, é que estavam vendendo todas as bebidas, inclusive refrigerantes, e os garçons somente atendiam as mesas que lhes davam dinheiro. Aliás, verificamos o disparate antes da meia noite, em que os garçons disseram que não haviam mais espumantes, enquanto que na mesa ao lado da nossa havia cerca de 20 garrafas. Foi preciso ir ao local onde estavam os espumantes e insistir veementemente para conseguir duas garrafas em uma de 12 pessoas. E os preços cobrados pelos garçons equivaliam ao preço das garrafas como, por exemplo, R$50,00 o preço do espumante nacional.

No mais, Réveillon excelente. A Banda Acaiaca foi excelente abrindo o réveillon. Grande show pirotécnico. O Chiclete com Banana tocou por volta de três horas e meia, com uma animação ímpar e deixando o réveillon com cara de uma grande micareta e, por fim, entrou um cantor de Sertanejo com uma superprodução que não fiquei para ver, primeiro porque já eram por volta de cinco horas da manhã, segundo porque a Preta e o moleque já tinham se recolhido ao quarto (uma das vantagens de se pagar caro e ficar no próprio hotel) e terceiro por ter o fraco de não me divertir com a nova moda do sertanejo universitário.

O que acontecia com bebida, não aconteceu com a comida: filé e lagosta na manteiga até a hora que saí.

Do meu quarto, dormi ouvindo a festa se prolongando, cerca de sete horas da manhã.

Agora, da Base

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

A Queda, de Diogo Mainardi


Acabei de ler neste momento o livro A Queda, de Diogo Mainardi.


Sei que o autor é polêmico e, após ter escrito Lula é minha anta, além de suas crônicas na Revista Veja, atacando o ex-presidente brasileiro, posso dizer que é odiado por aqueles que são a favor do atual governo.

Mas podem ficar despreocupado, o livro não trata sobre política, mas sobre o seu filho, Tito, que foi vítima de um erro médico na Scuola Grande de San Marco, em Veneza. Melhor, o livro autobiográfico trata do amor de um pai pelo filho com paralisia cerebral.

Sem dúvida um excelente livro, inteligente e muito bem escrito.

Pessoalmente, a narrativa também é emocionante, posto que também me vi em algumas passagens do livro, eu e Pedro, neste momento de nossas vidas. A propósito, o livro também me foi tranquilizador.

Recomendo a todos, especialmente àqueles que possuem filhos e, mais ainda, aos que possuem filhos especiais.

Da base.



quarta-feira, 20 de novembro de 2013

A Imperfeição

Ouso dizer, afirmo e confirmo, que a beleza está na imperfeição. Nada é mais belo que algo imperfeito, ainda mais nestes tempos em que a busca espartaniana do perfeito está cada vez mais latente. 


Explico: Cada dia que passa as pessoas se exigem mais. Tenho que ter o corpo bonito, mais malhado, tenho que ser o melhor profissional, tenho que ser um bom pai, uma boa mãe, o melhor esportista, o primeiro da turma, da universidade, o melhor profissional, o mais bem sucedido, o esteticamente correto, o politicamente certo. O certo, nunca admitindo a pequena falha, por menor que seja.

Já escrevi algumas linhas tempos atrás por aqui acerca do politicamente correto e que, na maioria das vezes não é real e, quando é, torna as pessoas chatas, o que é imperdoável. Portanto, não vou chover no molhado.

Voltando ao tema, o amor ao imperfeito tem como constatação empírica dois exemplos, minhas paixões - no que pese existirem muitos outros e possivelmente gerarem um livro se decidir enumerá-los -: os vinhos e as mulheres.

Sou apenas um enófilo, mas nada mais enfadonho que um vinho estruturalmente perfeito e equilibrado. Para que serve um bom vinho, geralmente caro, se se sabe o que vai se esperar dele. O olor, a cor, a persistência e todas as demais características corretas e sem defeitos que o faz excelente, mas que, ao final, sabe-se excelente, porém, sem nenhuma surpresa.

Da mesma forma as mulheres. Vejo mulheres hoje usando de todos os artifícios para ficar mais bonitas. Uma busca incessante pela beleza que passa, invariavelmente, pela academia e pela anorexia. E, o que é pior, muitas vezes não é a sociedade, mas a própria mentalidade da era atual que diz que somente sendo magra e malhada é que a mulher vai ser bonita. Criamos um exército de mulheres padrões, iguais, com corpos espetacularmente certos que, se não se deve à malhação, se deve ao bisturi.

Não estou fazendo qualquer ode ao "embagulhamento" feminino, muito menos tirando o pão dos cirurgiões plásticos. Por favor, não interpretem mal. Durante esses alguns anos de blog, todos já devem saber que, se for para ficar feliz, sou o maior incentivador, desde pular de pára-quedas até fazer tatuagem na polinésia com dente de tubarão.

O que condeno é a imposição da sociedade da beleza padrão, perfeita e a qualquer custo.

Lembro de um artigo que li, há muitos anos atrás, em um jornal diário, do Paulo Cal, que era amigo de infância do meu pai, que o tema central era as celulites. Dizia ele, se a minha memória não falha virtude do tempo, que as mulheres sem celulites não possuem estórias para contar, pois passam os seus dias em academias  e se privam de diversos prazeres da vida em busca do corpo perfeito. As mulheres com celulites sim, te acompanham e pedem a sua caipirosca e vivem a vida, se bem entendi do artigo.

Não quero ser tão radical e também infirmar o artigo, pois se, quem quer que seja, curtir academia ou a perfeição, deve os seus objetivos perseguir, como um hedonismo saudável.

Mas, certamente, o perfeito não é o belo. O belo tem que ter algo de errado, de diferente, de surpresa. De surpreendente.

Como exemplo, conta a lenda que Diego Rivera, o marido promíscuo de Frida Kahlo, se apaixonou pelas marcas de acidente que ela possuía. Logo ele que era um pintor e que se exigia o perfeccionismo. Quem sou para discutir? Melhor, não discuto por convicção, pois por convicção o belo não estão no perfeito, mas na diferença e, principalmente, na alegria modesta da pessoa de se achar bela.

O vinho, como a mulher, tem que ter um quê de imperfeição, que os diferencia e que os fazem ímpar. Que nos surpreende e que nos faz amá-los. Amá-los não cegamente, muito menos por serem perfeitos, ao contrário, mas pelo fato de serem imperfeitos, como a condição humana.

E aí está a beleza da imperfeição, a surpresa e o fato de não ser comum, que torna as pessoas mais humanas e mais reais.

Da base.

Pedro de Nóvoa Cavalcanti ou, o nascimento de um Bebê

Achei perdida esta crônica de mais de dois anos atrás que, agora relato como escrevi na época, com algumas correções necessárias:


Este blog não foi feito para registrar acontecimentos da minha vida, mas para passar experiências aos que estiverem na mesma situação possam usá-las e tirar as suas próprias conclusões. Por este motivo, pretendo descrever o nascimento do meu filho, Pedro de Nóvoa Cavalcanti, apenas como uma experiência a orientar um pai como eu, de primeira viagem, sem qualquer referência subjetiva e ilações de cunho pessoal.

A criança mais linda deste mundo, a mais amada e esperada, nasceu às 7:12h, com 3,2kg e 56cm de altura. Melhor, de comprimento. Os preparativos para a sua chegada começaram três dias antes, da forma mais consistente. Digo isto porque, como todos sabem, na hora que o "casal" sabe que "está grávido", os preparativos se iniciam, mas, o que conta mesmo são os três últimos dias ou a partir da última consulta neonatal, quando se marca a data do parto, se for cesariano.

Eu sabia tudo de gravidez e parto. Me inscrevi em três sites de bebês e recebia emails diários, um deles bastente extenso, que me deixava informado de tudo sobre a gravidez. Meu primeiro conselho: não saiba tudo de gravidez e parto, pois a pessoa fica paranóica, pensando nas doenças que a criança pode ter, o que pode acontecer com a mãe, etc. Tente fazer uma leitura superficial da gravidez, aprendendo somente o necessário e, principalmente, segundo conselho, quando qualquer pessoa vier falar sobre alguma desgraça relacionado à criança ou à gravidez, diga que você não quer saber ou, simplesmente, não a escute, pois você vai certamente relacionar o comentário à sua criança ou à sua companheira. E você vai ver que a quantidade destas pessoas é muito maior do que você imagina. Se possível, exclua a amarga do seu convívio, até nascer o rebento, ou para sempre, se possível.

Voltando ao assunto, mesmo que as malinhas da mãe e do bebê estivessem prontas há quinze dias, você somente começa a pensar no parto com a data marcada. No meu caso foi segunda-feira, que por um motivo irrisório, a Preta brigou com ela mesma. Digo isso porque não se pode retrucar em nenhum momento, pois, mesmo que se esboce uma reação, o primeiro pensamento que vem é a antecipação do parto e a preocupação que eventual clima pesado pode trazer ao nascimento da criança. Então fique calado, deixando a outra falar e, mesmo calado, não espere que a briga vá ser menor do que outras que você teve. Certamente vai ser pior e, pior ainda, sem você ter qualquer direito de ficar chateado, pois a prioridade sempre é o filho e, mais, nunca vi uma grávida perder a razão, mesmo que você esteja calado. Usando o dito popular, nestes casos, calado já está errado.

Três dias trabalhando e três longas noites sem dormir depois, chego, estraçalhado e nervoso, às vésperas do nascimento do bebê. Precisava dormir bem, afinal, o dia seguinte era o grande dia. Jantamos cedo, pois a médica havia marcado o parto para as seis horas da madrugada, horário esse que somente conhecia quando amanhecia nos bares em outras épocas. Não se pode comer muito, pois a Preta ia passar por uma cirurgia e eu ia, e fui, assistir o parto e tinha que me precaver contra os efeitos do excesso de comida.

Aliás, a decisão de assistir o parto é muito complexa e, como se verá abaixo, tem que ser muito bem pensada para pais, como eu, que são de primeira viagem, pois as cenas são fortes e requerem um organismo muito bem equilibrado. No meu caso, a decisão foi simples e rápida: a Preta decidiu! Na primeira consulta do prénatal, a médica me perguntou: Tu vais ver o parto? A Preta, imediatamente e com a singelesa das decisões ditatoriais, respondeu: Vai. 

Pronto, estava decidido. E não podia falar nada, pois, se "estávamos grávidos" e ela iria passar por uma cirurgia, porque eu não poderia simplesmente assistir o parto? A lógica é irrefutável, e a decisão foi menos dolorida quando a Preta bateu o martelo por mim. 

No que pese a minha atitude tragicômica, não me arrependi em nenhum momento em ter assistido e, conta a minha moral imaginária e ilusória, fui essencial no parto do Pedro!

Depois de chegarmos por volta das 6h da manhã na Maternidade Saúde da Criança, com horário militar ou de insones, como estávamos, fomos para o quarto e logo chegaram a minha mãe e os pais da Preta. Todos nervosos e apreensivos. Recebemos a visita pouco depois das médicas do parto, Dras. Janete e Lia, uma prima e outra ginecologista que cuidou da Preta durante toda a sua vida e deixou de se aposentar dos partos somente para ter no nosso rebento na mão. Benza Deus, em uma linguagem popular.

Levaram a Preta de maca, com uma feição de pânico e pedindo que eu a acompanhasse. O Dr. Altino foi atrás e eu correndo sem saber o que fazer.

Entramos, eu e o meu sogro, em um closet - sei lá como era o nome do local e também não vou me preocupar em relatar agora, pois estou escrevendo sentindo a aflição da época -, que estavam as roupas verdes para entrar na sala de cirurgia. O meu sogro, médico pediatra, logo se vestiu, sem se preocupar com nada, tirando a sua roupa e colocando aqueles macacões, toucas e umas pantufas rudimentares parecidas com as toucas próprias para os pés. Enfim, equipado com toda a indumentária verde com cara de seriado americano ao estilo de Plantão Médico.

Olhou para mim e disse: - cuidado que existe muito furto aqui. Ele levam tudo que tu deixas.

Quando baixei para olhar alguma coisa ou esconder algum pertence, o velho Altino desapareceu! Não sabia sequer por onde tinha saído! Pelo pouco de lucidez que me restava saí, resoluto, com minha armadura de lona verde e meu capacete para chuveiros, a ajudar minha amada no resgate do meu rebento, pela porta oposta a que tinha entrado! Mas absolutamente apavorado! Menos, porém, que o meu sogro!

Saí procurando, no centro cirúrgico, de porta em porta, e perguntando. Sorte que era antes das 7h da manhã, mas ainda encontrei alguém, com a mesma armadura, que me disse para sair e que não dei muita conversa e continuei procurando, sem mais perguntar. 

Encontrei o velho Altino barrado em uma porta pela pediatra da equipe da Dra. Janete e presenciei, com orgulho, a própria Dra. Janete dizendo com firmeza: - Pode deixar ele entrar! Ele já segurou mais crianças em parto que nunca vais pensar em segurar!

Entrei no vácuo do pediatra! Renovado e confiante! Confiança esta que em poucos segundo terminou quando a prima Lia olhou para mim e disse "cuidado com a bandeja", que era a de bisturis que estava ao meu largo, mesmo tendo a certeza que ela estava longe quando eu passei e que não havia qualquer descuido meu! Óbvio que mesmo assim, colei as nádegas na parede, com a câmera de fotografia até então inútil e esquecida que a Preta também me obrigou a entrar com ela.

Pediram para eu sair na hora da anestesia. Me chamaram quando passou o efeito inicial. Dei um breve cafuné no cabelo da Preta e colei de novo as costas na parede e deixei o Pediatra Altino, fora do serviço, fazer a quádrupla função de pediatra assistente, marido, avô e pai.

Estávamos na cabeça da Camila, quando a pediatra, Dra. Mariana, me olhou esquecido no fim da sala de parto, e me disse quase sussurrando: "venha aqui deste lado", chamando para ir aos pés da Preta.

Parti para o lado oposto, tentando que ninguém notasse a minha presença. E ninguém notou. Quando cheguei do lado da doutora, sempre encostado na parede, ela fez um sinal para a máquina de fotografias e comecei a fotografar freneticamente!

E saíu o moleque! Comprido, magro e lindo, mesmo envolto no sangue e no esbranquiçado da placenta! Não chorou logo, mas chorou depois... Contido... Mas que aplacou a aflição de todos da necessidade de chorar!

Doutora Lia, enquanto a Dra. Janete se preocupava com o fim do parto, levou o Pedro, bíblico, na cabeça da mãe para o primeiro beijo e a Preta, em um misto de alegria e preocupação, olhava e chorava com a criança.

De repente a pediatra Mariana recolhe o rebento e sai com pressa e o Pediatra visitante, Altino, sai correndo atrás! 

Bom, tinham dois, um deles avô e médico parteiro. Fiquei com a minha mulher! Ouvi taxativa uma voz de baixo: - "vai com o meu filho!" Ainda argumentei: - Teu pai está lá e vou ficar com você! Ela diz: - "vai agora ver o Pedro!"

Claro que fui! O Pedro estava ótimo! Tudo procedimento normal! Moleque lindo e saudável! Aliás, nunca vi o meu sogro tão feliz, segurando a criança com aquela máscara cirúrgica mal tirada do rosto e fazendo pose para a máquina fotográfica!

E, como disse no primeiro parágrafo, esta crônica é absolutamente impessoal e somente para o aprendizado dos demais pais de primeira viagem... mas meu filho é a criança mais linda do mundo!

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Faroeste Caboclo, O Filme



Digno da música homônima e com roteiro baseado nesta, Faroeste Caboclo me fez sentir um filme brasileiro excelente que há alguns anos não via.

Perto dos filmes cults enfadonhos bem produzidos, mas longe dos besteiróis, muitas vezes sem graça, do novo cinema brasileiro (esse novo é meu, leigo e sem técnica, e muito menos sem querer comparar com o movimento iniciado por Glauber Rocha), o filme passa pela temática da menina da Zona Sul carioca que se apaixona pelo traficante do morro, mas locacionado em Brasília Com uma grande diferença, se baseia na eterna música do Legião Urbana e com um roteiro próprio e original.

Se passa nos anos 80, no fim da ditadura militar não muito aparente, mas presente, em Brasília e Planaltina, com figurino e fotografia ótimos e, principalmente, com trilha sonora do Planalto Central, com pitadas de discoteca, Clash, Billie Idol e Sex Pistols.

Um filme forte, com atuação marcante de Fabrício Boliveira.

A faixa etária é para os maiores de 16 anos, mas aconselho somente para os maiores de 18, acompanhado de uísque.

Da Base.