segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Autorretrato (um plágio declarado do de Pablo Neruda)


Sei que sou ou penso que sou,
protuberante no abdômen,
de pele amarelo-escritório,
olhos pequenos e nariz grande,
precoce em pêlos prateados,
covarde para armas e violência,
corajoso para defender a paz,
companheiro dos livros, das novelas e dos romances,
das películas de qualquer gênero,
fiscal da natureza,
amante das florestas e dos mares,
meditador nas praias,
preocupado, com o que devo me preocupar,
despreocupado, com o que sobejar,
viajante audaz e inconsequente,
sedento para conhecer lugares,
hedonista por brincadeira,
apaixonado pelo que faço,
workaholic por necessidade,
preguiçoso para o que não é urgente,
descrente das atividades físicas,
tímido,
algumas vezes melancólico,
passional ao fundo do poço,
alegre por convencimento,
entregue aos amigos,
não conheço os inimigos,
rancoroso,
perseguidor da arte de escrever,
de ler,
de se comunicar,
mesmo sabendo que o satisfatório não consigo alcançar,
admirador das mulheres,
apaixonado pela minha,
protetor das outras três de toda a vida,
descobridor do amor incondicional pela cria,
sonhador incorrigível,
sem limite,
amante da liberdade,
notívago por herança,
boêmio por natureza,
embriagado pelo vinho, pelo uísque e pela vida,
sempre.

Da base, Belém, Pará.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Mais uma tragédia anunciada no Rio - O Bondinho de Santa Tereza

Fico triste de confirmar neste blog mais uma tragédia anunciada no Rio de Janeiro. Aliás, a terceira postagem, que me lembro, que confirmo neste blog.

No final de semana passado decidimos ir comemorar o aniversário da minha amiga Carla Melém. Além do seu marido, mano velho, Alex, estavam outros grandes amigos, Alexandre e Léa Benchimol, Gustavo e Roberta Salgado, meu compadre e comadre Marcus e Bárbara Lobato, irmã Karime e, óbvio, a Preta, companheira de viagens e da vida. No sábado, por minha insistência, comer feijoada em Santa Tereza, por indicação da minha irmã.

Após pelo menos uma hora e meia na fila, aguardando o bonde, com muitas brincadeiras nossas, chegou a primeira notícia da tragédia anunciada, que há quatro meses havia caído um francês, de cima dos Arcos da Lapa, pela abertura do bonde.

No bonde antes do nosso, ouvi umas palavras mais altas indecifráveis, com várias pessoas correndo para o bonde ainda na estação. Era simplesmente um dos maquinistas anunciando que quem quisesse ir em pé no bonde podia passar na frente, descobri depois.

Embarcamos. O bonde era bonito, bem pintado. Como se deu no anterior, também houve a via franca para o embarque em pé, um grupo de franceses na frente, quatro, e um casal brasileiro atrás. A nossa galhofa continuava. A minha, aliás. Como não consegui ficar do lado da Preta e estava na ponta da cadeira do bonde. Antes mesmo de sentar a Companheira, incisiva, logo largou: "Não levanta, aquieta!"

Não obedeci. Ficava brincando e, logo na primeira curva, o bonde parou. O Maquinista, insistiu e ele andou, como se este procedimento para ele andar fosse comum e usual. E foi assim durante todo o trajeto.

O que mais me marcou foi sobre os Arcos da Lapa, onde o tal francês teria caído. O bondinho todo aberto, sem qualquer contenção, encima de muitos metros de construção, com um alambrado torto, sempre parecendo que segurou algo e ficou deformado. A Preta falando para eu sentar e eu na brincadeira. Falei para o meu compadre, virando para trás: este bonde é muito tosco!

Enfim, paramos no restaurante, no alto do morro, saindo do bondinho e ele seguindo o seu percurso e, dez minutos depois, ouvíamos as sirenes dos bombeiro. O garçom disse que não havia uma notícia "muito boa" para nos dar, que um bondinho havia descarrilhado, batido em um poste.

Hoje, no Jornal Nacional, descobri que houve cinco mortos, cinquenta e dois feridos, alguns ainda no hospital, em decorrência de falta de manutenção no bonde. Aquele, logo antes do nosso, que as pessoas corriam freneticamente para buscar um lugar em pé e eu, corri para saber o que havia acontecido, se estavam tentando passar a nossa frente.

Mais uma tragédia anunciada. Não por mim, que somente constatei, mas pela Administração Pública carioca.

domingo, 21 de agosto de 2011

Café da Manhã no Rio de Janeiro

O meu amigo Alexandre Benchimol, paulista de coração, me perguntou onde se toma um bom café da manhã no Rio de Janeiro. Alexandre, os mais famosos do Rio são o Talho Capixaba (www.talhocapixaba.com.br), que é uma espécie de padaria, com venda de patês, frios e pães, que o cliente monta o seu sanduíche segundo o seu gosto, além de espaço para outros itens e venda de produtos finos, e o Restaurante Garcia e Rodrigues (www.garciaerodrigues.com.br), uma delicatesse sofisticada, com espaço voltado para restaurante, aliás um dos melhores do Rio, ficando ambos no Leblon, na Av. Ataulfo de Paiva, o primeiro no número 1022, e o segundo no 1251, este no Baixo Leblon. O Garcia Rodrigues também possui filiais na Barra da Tijuca e em São Paulo.

Não tão conhecido e bem mais simples que os dois, servindo um bom almoço, principalmente saladas, o que eu sempre vou é um bistrô chamado Santa Satisfação (www.santasatisfacao.com), que tem um ótimo omelete, com duas casas, uma na Santa Clara 36-c, em Copacabana, no Posto 6, e também ao lado do Garcia e Rodriguez, na Ataulfo de Paiva, nº 1335-A.


Da Base, Belém, Pará.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Chá com Mussolini, 1999 (Tea with Mussolini)

De Franco Zeffirelli, Chá com Mussolini é um filme marcante, que conta a história de um grupo de senhoras inglesas que adotam Florença como lar, na época do regime fascista, à beira e durante a Segunda Guerra Mundial.

Além da excelente película, três atuações dignas do Oscar, Cher, como uma colecionadora de artes americana, Judi Dench, como uma amante da arte e pintora e, a minha preferida no filme, Maggie Smith, como a viúva de um embaixador inglês.

Um filme emocionante.


Da Base, Belém, Pará.

domingo, 31 de julho de 2011

Picanha & Cia

Voltando aos restaurantes de Belém (mais do que justo, pois moro aqui), há muito que frequento o primeiro Picanha & Cia, na esquina da Rua Bernal do Couto com a Almirante Wandenkolk, comendo os mais variados pratos de churrascos e carnes na brasa, e sempre gostei muito.

Hoje decidi me aventurar com a Preta e com o Pedro pela não tão recente casa de churrasco a rodízio do Picanha & Cia, na Avenida Pedro Álvares Cabral, entre a Dom Romualdo Coelho e Almirante Wandenkolk, também no bairro do Umarizal.

Grata surpresa! O lugar é amplo, existe um buffet de frios que inclui queijos diversos e presuntos, um buffet de saladas e mais um de comidas diversas, com caldo de lagosta, paella, camarão e outros.

O atendimento é excelente e as carnes, mesmo em um domingo de grande movimento, estavam ótimas, suculentas, incluindo cortes argentinos, como bife de tira e bife ancho, cortes norte americanos (ou  Australiano), como a costela premiun, e muitas outras opções, picanhas, bacalhau na brasa, salmão ao molho de maracujá, etc. As cervejas, as mais variadas, e dos melhores rótulos, incluindo Eisenbah, devassa, Baden Baden, e outras.

Na saída, descobri que o Picanha possui um serviço de condução para os que desejam ir sem carro e os que se permitem bebemorar sem preocupação.

O preço? Bom, o preço é salgado (R$ 61,90, por pessoa), comparáveis a churrascarias como o Porcão e o Vento Aragano, mas vale a pena em uma cidade que possui poucas opções de churrascarias de qualidade.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Benigni, Cinema Paradiso, Malena e Giusepe Tornatore

Não sou nenhum conhecedor de cinema, acho que sequer posso ser considerado um cinéfilo. O fato é que gosto de assistir filmes, sem qualquer critério, apenas assisto a maior quantidade possível e com grande diversificação, hoje, dentro do gosto que adquiri com assistir todas as películas da forma mais eclética possível.

Com essa sede, adquiri com A Vida é Bela, de Benigni, a atração pelo cinema italiano. Este filme, considerado o algoz do nosso Central do Brasil no Oscar de 1998, talvez o nosso mais competitivo filme, foi justamente derrotado pelo italiano na categoria melhor filme estrangeiro. Até hoje recordo o Roberto Benigni, subindo na cadeira da platéia quando anunciaram a premiação, um filme estrangeiro que falava sobre o holocausto, meio comédia, meio drama, que demonstrava o amor de um pai por seu filho, arrasando Hollywood.


Foi daí que eu, contornando a minha geração Star Wars, passei a ter olhos para o cinema italiano. Aliás, dizer aqui que sempre fui fã das películas itálicas soaria uma grande demagogia. Afinal, quem cresceu com Steven Spielberg e James Cameron, não poderia gostar de Giuseppe Tornatore. Mas gosto. Será que tem alguém que não Gosta?

Criei um carinho especial pelo cineasta quando vi a estória daquele garoto, aprendiz de operador  de projetor no pequeno cinema da cidade no interior da Itália, que se torna um grande diretor em Cinema Paradiso (1988), criando um laço de amizade com o velho operador. O filme conquista todos que o assistem, com o inevitável soluço entalado na garganta no fim. 

A música, inesquecível, do gênio Ennio Morricone, está na cabeça de todos, mesmo aqueles que nunca viram o filme, ao ponto de que, tendo comprado um CD com canções de cinema para bebês, para o Pedro, está ao lado da consagrada Moon River, da trilha sonora de Bonequinha de Luxo.


Mas o meu preferido é Malena (2000), também com a trilha de Ennio Morricone, que conta a história de uma mulher, moradora de uma cidade do interior da Itália tomada pelo nazismo, em que o marido foi declarado morto em batalha durante a Segunda Grande Guerra.


A sedução é a tônica do filme, estando Monica Belucci perfeita no papel e mais linda do que em todos os filmes que vi dela, como a verdadeira musa do cinema italiano que é, ao lado de Claudia Cardinalle, Gina Lollobrigida, Sophia Loren , Isabella Rossellini, dentre outras.


Aliás, este comentário, uma vez, gerou uma pontada de ciúme na Preta, sendo esta pontada transferida para mim em forma de beliscão, não sem confessar a vaidade que senti.

Da base, Belém, Pa.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Butch Cassidy

Hoje faz um mês que o Arimathéa faleceu. Tento homenageá-lo da forma que ele mais gostava, celebrando a vida, como muito bem disse o meu amigo Saboya no dia do seu velório.

Abri um vinho suave e, neste momento, estou vendo Butch Cassidy, com Paul Newman e Robert Redford, com a inesquecível canção Raindrops Keep Fallin' on My Head.

Lembro quando, em uma madrugada da minha infância, o Arimathéa esperava para ver o faroeste eleito como o sétimo melhor faroeste de todos os tempos e ainda hoje está entre as 100 maiores bilheterias da história do cinema, em uma época em que não existiam locadoras de vídeo ou de DVD's, Videocassetes, muito menos TV a cabo.

Estou recordando uma das cenas mais bonitas do cinema, na qual Butch Cassidy anda de bicicleta pelo campo, com a professora, ao som da música que marcou uma década.

Menos pelo filme, fiquei acordado para acompanha-lo e desfrutar um pouco de sua companhia, sem me dar ao certo de que esse filme seria inesquecível na minha vida e me abriria para o mundo do cinema.

Da base, Belém.




- Posted using BlogPress from my iPhone